Procura de amor em todos os lugares errados filme

7 Minutos Depois da Meia-noite

2020.08.05 22:35 7asessao 7 Minutos Depois da Meia-noite

7 Minutos Depois da Meia-noite


O filme retratado para um suposto diagnóstico referente às estruturas da psicanálise freudiana, é encenado por um menino de 12 anos de idade, chamado Conor O’Malley, que constantemente tem pesadelos relacionados à morte da mãe, os quais se tornam claros do porquê quando a sua mãe, Lizzie O’Malley, aparece bastante doente, passando por diversos tratamentos contra o câncer. Apesar de nas cenas iniciais Conor demonstrar impressionantemente ser um menino prestativo, dedicado exclusivamente à mãe e ser um “bom filho”, cuidando da casa, da mãe e de si próprio de forma metódica e organizada, nota-se o seu sofrimento por meio do silêncio e submissão aos eventos.
Nas primeiras cenas, Conor acorda cedo, lava as roupas sujas, faz seu próprio café-da-manhã, prepara o chá e limpa o balcão da cozinha, sempre aparentando bem vestido, limpo e neutro emocionalmente. Logo após, nota-se um grande apego entre ele e sua mãe com fotos dos dois pela casa, com uma relação de muito carinho, assistindo filme juntos, dialogando com compreensão e em alguns momentos dormindo na mesma cama. Porém, além do grande amor na interrelação, já observa-se um medo e preocupação incessante do filho por Lizzie, totalmente justificável pela doença da mesma, demonstrado pelos seus cuidados e tentativas de protegê-la, além de se ver como o único protagonista que tem o poder de curá-la.
Conor se coloca no lugar de privilegiado por ter sido muito amado pela mãe, por isso, tenta o tempo todo se sentir fálico novamente e se manter como o seu único objeto de desejo, ao mesmo tempo em que se sente endividado e culpado pelo amor recebido. Essa culpa o consome, tornando-o passivo e inacessível aos seus afetos e desejos por ser de dor insuportável. Por outro lado, para se sentir completo e perfeito novamente, ele tampona as faltas e satisfaz as suas necessidades por meio de deveres cumpridos. Com esse misto de querer voltar a se sentir fálico e sentir culpa, Conor procura sempre agradar à mãe e ao mesmo tempo se punir com a sua submissão e passividade dentro de casa, diante do bullying e dos espancamentos sofridos na escola, porque o que importa para ele é que a mãe o escolha como objeto de desejo. A sua procura por punição também acontece depois de espancar o seu colega de turma ou destruir a sala de sua avó, esperando receber um castigo severo.


Diálogo entre Conor e Lizzie sobre a esperança de cura do câncer.
Com a chegada da avó e do seu pai, que propõem a mudança de Conor para a casa da avó sob seus cuidados e a internação de Lizzie, o protagonista começa a ser reativo, lutando contra sua separação da mãe. Conor começa a se sentir ameaçado porque percebe que está perdendo o controle de toda a situação com a chegada, investidas e decisões da avó. Como Conor é um menino controlador com o intuito de manter tudo perfeito, a perda desse controle aumentam o seu medo da mãe desejar algo além dele e a sua rivalidade com a avó, o que o faz pedir para a árvore que a mate. Consequentemente, as suas reações se tornam agressivas contra a avó e seus pesadelos com o monstro da árvore mais intensos.
O monstro da árvore pode ser interpretado como um processo terapêutico psicanalítico porque retrata a cura, não com a eliminação dos sintomas, mas como um processo de ressignificação da sua dor para torna-la suportável e acessar o seu desejo, se responsabilizando e admitindo para si mesmo a própria verdade, o que Conor continuamente expressa resistência e repressão; como também o Inconsciente sistemático de Conor, cujo se manifesta por meio dos sintomas e dos sonhos. Seus sintomas são mostrados nas cenas de espancamento contra o seu colega de classe, e de destruição da casa da avó, onde nas duas cenas o menino parece ser controlado pelo monstro. São os momentos em que a criança sente dor conscientemente por saber que está cometendo um erro moral, mas sente prazer inconscientemente por finalmente conseguir transgredir. Ou seja, os conflitos psíquicos entre o seu desejo e o mecanismo de defesa, produz esses comportamentos violentos.
Para revelar os conflitos internos, liberar tensão e aos poucos, progredir para o acesso aos seus afetos, como no processo terapêutico citado anteriormente, o monstro da árvore ergue-se para contar histórias que se entrelaçam com a vida de Conor. Além disso, os sonhos de Conor passam uma rica fonte de material emocional e contém pistas para as demandas e causas. Como por exemplo, as analogias feitas pelas três histórias contadas pelo monstro são os próprios sonhos de Conor distorcidos e deslocados por meio do sistema psíquico.
Os sonhos demonstram que Conor não sabe lidar com seus desejos: Conor alimenta grande sofrimento, não consegue acessá-lo por ser insuportável e o Inconsciente acaba se manifestando com o fenômeno lacunar para a realização do seu desejo. Contudo, sabe-se que os pesadelos não são somente o medo de algo, mas o medo do desejo, pois ambos se interligam com a falta. Já os pesadelos de Conor se repetirem com frequência, denuncia situações de afeto durante a sua vigília e esse afeto é levado ao Inconsciente, se manifestando nos sonhos, como a sua relação com a mãe doente.

Cenas finais de Conor enfrentando a sua verdade.
Por fim, o filme inteiro mostra a luta de Conor contra o acesso ao seu próprio desejo porque, para ele, as regras tem grande valor como controle da situação, e como a consciência censura os seus afetos por saber que é um pensamento “errado e intolerável” moralmente, se torna um processo doloroso. O monstro da árvore é criado para superar os mecanismos de defesa e reconhecer a verdade, onde essa interpretação é concretizada nas cenas finais quando se descobre a verdade de Conor. A aniquilação da mãe é trazida à tona e é decifrado como um desejo de que a mãe faleça rapidamente de câncer para aliviar o seu sofrimento. E quando o mesmo admite para si, ele é capaz de criar um novo significado para a morte da mãe, permitindo a sua separação e capacidade de elaborar o seu luto.
Concluimos dentro dos sintomas e de todo o contexto elaborado pelo filme, que a estrutura da personalidade de Conor é possivelmente referente a neurose obsessiva. O EGO de Conor a todo momento tenta silenciar o ID e se manter fiel ao mundo externo, mas tem como resultado uma repressão fracassada. Por isso, Conor utiliza das fantasias com o monstro para tentar substituir a realidade desagradável. O filme destaca as interrelações familiares e escolares, a intrarrelação do protagonista e a transferência feita com a árvore como psicanalista, para relacionar o comportamento de Conor ao Complexo de Édipo. Nesses comportamentos, o mesmo tenta resistir ao máximo, renega e recalca a informação da castração.
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